Potiguar Joana "Peixinho" é uma das apostas de medalhas nos Jogos do Rio

O programa semanal  Diógenes Dantas Entrevista , veiculado pela TV Tropical, que vai ao ar todo domingo às 10h da manhã, traz nesta ediç...

O programa semanal Diógenes Dantas Entrevista, veiculado pela TV Tropical, que vai ao ar todo domingo às 10h da manhã, traz nesta edição a nadadora paraolímpica potiguar, campeã mundial dos 50 metros livres na classe s5. 
Joana da Silva Neves, conhecida carinhosamente nas redes sociais como Joana "Peixinho".
A atleta contou ao jornalista como conseguiu vencer o preconceito, a pobreza e até a fome para se tornar campeã mundial, detentora de cinco medalhas de ouro nos jogos ParaPan-Americanos em Toronto, além de medalha de bronze nos 50m borboleta nos jogos paraolímpicos de Londres.
Joana é uma das maiores esperança de medalhas nos jogos paraolímpicos do Rio 2016.
O difícil começo
A nadadora possui uma doença chamada acondroplasia, que gera problemas nas cartilagens dos ossos e causa nanismo. A potiguar falou do difícil começo, explicando como conseguiu vencer e seguir firme na caminhada pelo esporte.
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Segundo ela é preciso lutar e ter muita força de vontade. "A vida não é fácil, e até hoje eu sofro nos lugares que não me aceitam como deficiente, apenas como uma pessoa de baixa estatura, além de olhares preconceituosos e limitantes”, revela.

A atleta disse que aprendeu a superar as adversidades. "Antes eu ficava em casa reprimida, mas agora não, se rirem de minhas limitações sorriu de volta”, disparou.
Joana disse que apelidos pejorativos como anã de jardim, aleijada ou garrincha, devido às pernas tortas, fizeram parte da sua infância difícil. “Eu acordava de manhã com vontade de estudar, porém me recuava, entristecia e me isolava com julgamento das pessoas, era horrível”, lembra.
A natação e as primeiras viagens
A natação surgiu em sua vida por ordens médicas porque como possuía ossos fracos, o seu pé virava com um simples fato de andar normalmente. 
Ela conta que quando começou a viajar para competições de natação conheceu outras pessoas com deficiências, e relatou como isso mudou sua vida.
“Comecei a ver pessoas sem braços, sem pernas e estas sorriam muito mais do que eu”, relembrou. “Desde então pensei: se eles não têm braços ou pernas e vivem felizes, porque eu também não posso ser feliz?“, acrescentou. 
“Daí eu percebi que Deus tinha me dado uma vida para viver, e não importava se eu era grande ou pequena, e tinha que viver sorrindo do mesmo jeito”, comemora.
Família
A família da nadadora mesmo com poucos recursos financeiros sempre a apoiou e se fez presente na vida da atleta. Joana é muito grata e consciente de que sem a base e apoio familiar não teria chegado aonde chegou.
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“Eu superei tudo pelos pais que tenho, eles são maravilhosos”. “Minha mãe é uma guerreira, me ajudou demais, lembro-me do passado quando passei fome, chegava a chupar o dedo para dormir, pois muitas vezes não havia comida em casa”, revelou.

Mesmo diante de tanta dificuldade Joana explica que não faltava treino de jeito nenhum, mesmo aos fins de semana. Hoje a nadadora também é mãe da pequena Janille de apenas oito anos, que segue seus passos no mundo do esporte e pratica Karatê. “Ela é minha maior medalha”, disse orgulhosa.
Joana “peixinho” disse que seu pai parou de beber para acompanhar mais de perto sua vida de atleta.“Eu ia viajar para competir, e meu pai dizia que não tinha dinheiro pra ajudar, então ele saía, e com pouco tempo retornava com R$10 reais para me dar, mas eu voltava para casa com os mesmos R$10 reais, e devolvia pois sabia que ele tinha pegado emprestado, que teria que pagar depois”, explicou.
“Meu pai quebrava rapadura e dizia, painho fez seu suplemento, era água com rapadura” falou sorrindo.
Volta por cima
O treinador Rodrigo Vilar, que acompanha a atleta desde o inicio de sua carreira ainda no ano 2000, Joana não esconde o carinho e gratidão que sente pelo professor.
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Para ela o segredo do sucesso é 50% dela e 50 % dele.  “As vezes, antigamente, eu começava a passar mal no treino, porque não comia direto, daí Rodrigo começou a perceber isso, e começou a me dar uma cesta básica todo mês, em troca eu não faltava treino de jeito nenhum” explicou.

A reviravolta foi quando a atleta entrou na seleção brasileira de natação em 2010. Desde então ela tem crescido muito, e conseguido se manter. “Tenho evoluído a cada competição”, comenta.
Hoje a atleta representa a Sadef RN, é patrocinada pelas Loterias Caixa e recebe incentivo da lei esportiva, Bolsa pódio. Além de possuir toda a estrutura como piscina, boa alimentação, nutricionista, personal treiner e apoio financeiro..
Ela treina de segunda a sexta em dois períodos. “Minha vida hoje é bem corrida graças a deus”, comemora.
Rio 2016
Otimista a potiguar falou que as chances de medalha nos jogos paraolímpicos Rio 2016 são de 90%.
“O ritmo de treino está bem forte, não treinei tão forte essa semana, porque estou recém- chegada de competição” lembra.
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A vida de atleta não é fácil, mas ela espera repetir histórias de superação como a do grande campeão, e também potiguar Clodoaldo Silva. Para ela o apoio ao atleta deficiente em Natal ainda é muito pouco.

.“Acho que deveriam olhar mais o paraolímpicos como atletas de alto rendimento” alertou. “Eu vejo pouco apoiadores, e poucos atletas da terra na seleção brasileira de natação, antes tinha bem mais” “Eu sou a única que ainda reside em natal”, finalizou.
A meta para ela é no 50m livres, fazer o tempo de 37 segundos cravado. “Não costumo falar muito minhas metas, nem de mim mesmo” lembra. Suas duas principais adversárias são Sarah Luz, da Noruega, e Teresa Perales da Espanha.
Personalidade e Competição
Joana confessa que é bastante vaidosa, e sempre gosta de cuidar da aparência.
“Eu não saiu sem um batom, lápis, vou ao salão periodicamente”. A nadadora disse que em outras épocas já saiu mais para se diverti, porém, hoje em dia prefere ficar mais tempo em casa se dedicando a família “Hoje em dia sou mais reversada”, confessa.
Joana que é amigável e comunicativa contou que durante a competição não é bem assim. “Na competição sou uma Joana marrenta, cara fechada, de poucos amigos, focada apenas no objetivo”. Segundo ela sua personalidade muda. “Eu não gosto de tirar brincadeira, nem que tire comigo, confesso que fico um pouco estranha” disse.
A jovem de 28 anos diz que pretende para de nadar em 2020, e que pretende faculdade, mas ainda não decidiu qual área seguir. “Estou em dúvida entre educação física, fisioterapia ou jornalismo, e que sou muito falante” brinca.
“Sou a única deficiente que meu treinador ainda está treinando, ele vai também vai se aposentar em 2020, mas até lá ainda falta muito tempo”.

Confira a entrevista:
http://www.nominuto.com/noticias/televisao/potiguar-joana-peixinho-e-uma-das-apostas-de-medalhas-nos-jogos-do-rio/143390/

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