Como o Brasil treina cérebros de atletas do tiro por 1ª medalha na Rio-2016

A equipe de tiro esportivo do Brasil aposta na alteração e no treinamento dos cérebros de seus atletas para conquistar a primeira medal...

A equipe de tiro esportivo do Brasil aposta na alteração e no treinamento dos cérebros de seus atletas para conquistar a primeira medalha do país na Olimpíada do Rio-2016. O objetivo do método - conhecido como neurofeedback - é melhorar a atenção e portanto o desempenho dos esportistas. Pela programação olímpica, a modalidade terá os primeiros pódios e o atirador Felipe Wu é candidato a ocupar um dos degraus deles.
No tiro esportivo, a capacidade de concentração é uma das qualidades mais importantes. Para atingir os melhores resultados, os atiradores têm que manter seus cérebros em uma zona que nem seja muito relaxada, nem tenha ansiedade demais. Tanto que remédios para aumentar a atenção são considerados doping. 
Por isso, desde o início de 2016, o psicólogo Silvio Aguiar, ex-atirador olímpico que se especializou nas reações cerebrais, tem feito um treinamento com os atletas brasileiros para condicionar os seus cérebros. Para isso, são utilizados aparelhos para medir a frequência cerebral dos atletas (presos à testa) em diversas situações, seja parado, de olhos fechados, abertos. Conforme a reação, ele identifica comportamentos cerebrais que representam distrações.
"A segunda parte é moldar a atividade cerebral. O objetivo é tirar ondas muito rápidas que não sejam boas para ele relaxar. A gente coloca no programa como quer o cérebro do atleta funcionando de acordo com cada um", contou Aguiar. "Quem tem provas longas, precisa ficar concentrado por mais tempo. Quem tem provas curtas e de muitos tiros, é diferente".

Como fazer para moldar o cérebro dos atletas?

Mas, a partir do momento em que sabe como o cérebro de cada um tem que funcionar, como o psicólogo induz a cabeça do atleta a atingir o ideal? Aí entra uma técnica de condicionamento. O esportista vai ficar na frente de um vídeo qualquer que lhe seja prazeroso, uma corrida de carros, um filme. Enquanto seu cérebro funcionar da forma que mandar o computador, o vídeo continua. Caso ele se distraia, para. 
“O cérebro busca o prazer e se afasta do desprazer. Assim, conseguimos uma modelagem cerebral. Queremos um cérebro mais flexível. Queremos reduzir o ruído mental”, contou Aguiar. A modelagem é feita em um nível não consciente, sem que o atleta perceba diretamente.
E o que provoca o ruído mental? Lembrar de experiências passadas ou criar expectativas sobre o futuro na competição, por exemplo, são ruídos que tiram a concentração do atleta do que ele tem de executar naquele momento na prova. Ou seja, um cérebro de atirador ideal irá apenas se concentrar no presente.


Rodrigo Mattos
Do UOL no Rio de Janeiro

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